Dificuldades e/ou Problemas de Aprendizagem

criança escrevendo

O conhecimento é inerentemente humano, pois não há nada que escape à percepção humana e não seja registrado de modo preciso, gerando uma informação a ser descrita, analisada e interpretada, sendo expressa das mais diferentes maneiras. Porém, ele não acontece de forma pura e simples, havendo mecanismos físicos e cerebrais que trabalham para tal, e independe das condições chamadas normais ou patológicas, ou seja, mesmo o sujeito que nasce ou adquire determinadas deficiências, sejam neurológicas ou cognitivas, tem o mesmo poder de aquisição de conhecimento e aprendizado.

Evidentemente, as pessoas com necessidades especiais possuem formas de aprendizado diferenciado das demais, podendo ser em ritmo, intensidade e/ou aprofundamento. Contudo, o fato que torna todos os sujeitos iguais é a inerência da aprendizagem, sendo que a diferenciação reside na aquisição do conhecimento que é um resultante de tudo aquilo que o ser humano é potencialmente capaz de aprender ao seu modo. Nesse sentido, Fonseca (1995, p.128) afirma que:

A aprendizagem é, portanto, uma função do cérebro. Não há uma região específica do cérebro que seja exclusivamente responsável pela aprendizagem. O cérebro é no seu todo funcional e estrutural responsável pela aprendizagem. A aprendizagem é uma resultante de complexas operações neurofisiológicas. Tais operações associam, combinam e organizam estímulos com respostas, assimilações com acomodações, situações com ações, gnosias com praxias, etc.

A citação do autor é, em resumo, uma explicação bastante lógica e abrangente do que seja aprendizagem a partir de sua formação neurofisiológica, e permite entender por que as pessoas aprendem, independentemente, de suas condições. Entretanto, as pessoas não aprendem em igual momento, da mesma forma, adquirindo a mesma interpretação sobre algo; os significados são distintos, as formas de expressão não são as mesmas. Por que tem que ser assim?

Porque as pessoas desenvolvem mecanismos cognitivos e intelectivos não de acordo com a faixa etária que possuem, mas segundo um processo de maturação – biológica e de meio social – que se desenvolve de forma diferente em cada pessoa.

Por isso, crianças da mesma idade não aprenderão num mesmo momento, porque o aprender acontecerá de modo gradual para cada uma. Já para os adultos, o processo não é diferente, mas há uma aceleração mais dinâmica da aprendizagem em razão dos fatores que se inserem numa dada situação.

Assim, acredita-se que o bebê desde quando nasce, aprende com os estímulos internos e externos a ele. Por isso, quando o bebê tem fome, sede, frio ou sono, chora para que alguém identifique o que está ocorrendo e, a partir do atendimento que lhe é dado, assimila a informação e passa a agir da mesma maneira toda vez que o processo se repetir, até que desenvolva por si os mecanismos que o favoreçam como a linguagem, por exemplo.

Mas, é preciso ressaltar que tanto para criança quanto para o adulto, os mecanismos funcionais – neurofisiológicos – trabalham de maneira gradual e, não acumulam informações imediatas com propósitos de conhecimentos imediatos; é preciso o desenvolvimento gradual da aprendizagem para as satisfatórias correlações e/ou associações para formar o conhecimento.

No entanto, a anatomia humana tem uma especificidade precisa quanto ao funcionamento do processo de aquisição da aprendizagem. Podemos diferenciar dificuldades de aprendizagem de problemas de aprendizagem. Pois, as dificuldades de aprendizagem podem ser provenientes de fatores genéticos, orgânicos e demais disfunções cerebrais que acometem o sujeito desde sua primeira infância; podem ser tratados, evoluindo ou não de acordo com a faixa etária e outros intervenientes. Já os problemas de aprendizagem podem ser provenientes de situações causais e relacionais que afetaram o sujeito causando prejuízos emocionais e afetivos de várias ordens; também podem ser tratados, superados e/ou amenizados, evoluindo ou não de acordo com o desenvolvimento afetivo e emocional do sujeito.

Essa separação conceitual entendida pela Psicopedagogia, em seus estudos e pesquisas, não desconsidera que ambas, porém, se traduzem pela existência de fatores que impedem o desenvolvimento de habilidades e potencialidades do sujeito quanto à formação adequada de conhecimentos sistematizados, ou seja, que exigem uma organização lógica, com desdobramentos conceituais, procedimentais caracterizados pelo aprender a aprender e o saber-fazer.

Portanto, quando professores e alunos estabelecem relações próximas podem, juntos, encontrar saídas que contribuam para a superação ou amenização das dificuldades e até dos problemas de aprendizagem, contudo, isso se complementa de forma mais eficaz quando se tem como parceiros a gestão escolar e a família.

 

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A importância e a contribuição da afetividade na formação emocional do ser humano

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Texto de psicologia trás a reflexão sobre envolvimento e vinculo afetivo da criança com seus pais, família e sociedade.

Existe uma tribo na África oriental onde a arte da verdadeira

intimidade é fomentada antes mesmo do nascimento. Nesta tribo, o

aniversário de uma criança não é contado a partir do dia do seu

nascimento físico nem a partir do dia de sua concepção, como em

outras culturas pré-primitivas. Para essa tribo, a data do nascimento

é contada a partir da primeira vez em que a criança é um

pensamento na mente da mãe. Consciente da intenção de ter um

filho com determinado homem, a mãe se casa e se senta sozinha

debaixo de uma árvore. Fica sentada, atenta, até ouvir a canção do

filho que ela espera conceber. Quando ouve a canção, volta para o

povoado e a ensina para o pai, para que possam cantar juntos e

então fazer amor, convidando a criança a se juntar a eles. Depois

que é concebida, ela canta para o seu bebê em seu ventre. Depois,

ensina a canção para as velhas e parteiras da tribo, para que através

do trabalho de parto e do milagroso momento do nascimento, a criança

seja recebida com a sua canção. Após o nascimento todos

os habitantes da tribo aprendem a canção do novo membro da

comunidade e a cantam para a criança quando ela cai ou se

machuca. A canção é cantada nos momentos de triunfo ou nos

rituais de iniciações. Essa canção torna-se parte da cerimônia do

casamento quando a criança cresce e, no fim de sua vida, seus

entes queridos reúnem-se em volta do seu leito de morte para cantar

a canção pela última vez.

 

Imagine a sensação de intimidade para quem cresce em uma família, onde se é tão completamente visto, ouvido e amado. Percebemos que apesar deste texto ser de um período primitivo se faz tão atual, frente à carência que as crianças apresentam atualmente.

Fonte:

ORNISH, D. Amor e Sobrevivência, a intimidade que cura. São Paulo: Vetor, 1998.(pag. 48-49).